Revelação
Rubras manchas de timidez inerente,
tingem a pálida face,
pois os olhos têm costume de brilharem,
e a luminosidade a faz, transparente demais.
Têm medo de tudo o que revela,
mesmo que seja em silêncio.
Segredos que deviam ser só seus
se entregam, contra sua vontade.
Queria mesmo, permanecer mistério.
Sem perguntas ou julgamentos.
Sem nenhum tipo de invasão,
ou promessas não cumpridas.
As palavras parecem reveladoras,
mas muitas vezes são escudo.
Camuflagem impecável,
distração haurida.
Já as expressões,
essas têm vida própria.
São cheias de vontade
e se escancaram assanhadas.
Qualquer um com boa vontade,
pode decifrá-las.
Uma mordida no lábio, um levantar de sobrancelha,
um enrolar de cachos, uma mão no queixo.
Quando vejo, já me revelei inteira.
Cris Lemos
Enviado por Cris Lemos em 12/08/2025
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